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BLACK MONDAY: DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

20 Nov 2017

 

 No dia 20 de novembro de 1695 foi capturado o líder do quilombo Palmares, o maior quilombo do Brasil Colonial. Graças a Zumbi, 322 anos depois, celebramos hoje mais um Dia Nacional da Consciência Negra.  Mais do que isso, entramos em 2015 na Década Internacional de Afrodescendentes e estaremos nela até 2024, proclamada pela Assembleia Geral da ONU para reforçar a contribuição internacional para que os direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos de afrodescendentes em todas as partes do mundo sejam cumpridos. Para colocar em prática esses objetivos, a ONU lançou no dia 7 desse mês a Campanha ”Vidas Negras” contra o genocídio na juventude negra, que levanta a bandeira de um direito básico a todos, o de viver.  Parece um direito óbvio, mas segundo o Mapa da Violência, a cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil.

 

Rachel Maia, Rodney Williams, Viviane Moreira. Pandora, Microsoft, AIG Seguros. Primeiro três empreendedores negros que contribuíram com significativas mudanças positivas no excludente cenário do mercado de trabalho brasileiro. Respectivamente empresas com políticas que contribuem com as metas de inclusão social de afrodescendentes estabelecidas pela ONU. Rachel Maia, CEO da Pandora; Rodney Williams, vice-presidente da Microsoft e Viviane Moreira, coordenadora de negócios da AIG Seguros. O que eles têm em comum? Uma história de sucesso, de exemplo e infelizmente, ainda são exceções.

 

 Rachel Maia se formou em ciências contábeis e trabalhou durante 7 anos na 7-Eleven, rede de lojas de conveniência que operou no Brasil nos anos 90. Quando a empresa saiu do país Rachel pegou a rescisão e foi estudar inglês e administração por 1 ano e meio no Canadá. Assim que voltou, se tornou gerente financeira da Novartis, grupo farmacêutico onde trabalhou por quatro anos e de onde saiu para fazer um MBA nos Estados Unidos. Já de volta ao solo brasileiro foi abordada por um headhunter da Tiffany & Co. que  buscava uma mulher especializada em contabilidade e capaz de falar inglês. Rachel acabou passando sete anos como CFO da Tiffany & Co. no Brasil até ser abordada novamente, dessa vez por representantes da Pandora, marca de joias dinamarquesa que lhe ofereceram o cargo de CEO e a missão de instalar a empresa – que faturou cerca de US$ 3 bilhões globalmente em 2016 – no Brasil. Como ativista, Rachel trabalha com a ONU Mulheres e com a campanha HeForShe e está preparando outro projeto, ainda sem nome, voltado para a capacitação de jovens mulheres da periferia para o varejo.
 

 O americano Rodney Williams, vice-presidente da Microsoft não entendeu quando chegou ao Brasil e percebeu que era o único negro nas salas de reunião. Inconformado com a situação, Rodney procurou saber com o RH da empresa por que não existia diversidade no corpo de funcionários e ouviu que não havia candidatos com inglês fluente. Para mudar a mentalidade da companhia ele foi um dos responsáveis pela criação do grupo Blacks at Microsoft, formado por 20 funcionários que buscam atrair e reter profissionais negros, além de levar conhecimentos de tecnologia para afrodescendentes de universidades parceiras e oferecer bolsas de estudos.

 

 Viviane Moreira atualmente é coordenadora de negócios na AIG Seguros, mas enquanto trabalhava em uma consultoria foi vitima de um cliente racista para quem estava trabalhando. Ele pediu ao chefe de Viviane que alguém “mais clarinho” assumisse a função na segunda etapa do projeto, se não ela seria cancelada. No dia seguinte seu chefe convocou uma reunião com os diretores da empresa do cliente e q Viviane pôde mostrar os resultados de seu trabalho, depois perguntou se alguém tinha alguma restrição que ela continuasse tocando o projeto. Ninguém disse nada e Viviane seguiu o trabalho e entregou tudo antes do prazo. Foi ali que percebeu que era capaz o quanto gostaria que outras pessoas se sentissem assim. Atualmente ela atua como voluntária no EmpregueAfro, consultoria de Recursos Humanos focada na Diversidade Étnico-Racial.

 

O dia da consciência negra deve nos lembrar o quanto os negros sofreram desde o Brasil colonial, e ainda sofrem, principalmente para entrar no mercado de trabalho, o que os torna 75% da parcela 10% mais pobre da população brasileira, segundo o IBGE. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios Contínua feita pelo IBGE esse ano (2017) mostrou que mesmo com nível de escolaridade semelhante, os negros têm rendimento médio inferior aos brancos no Brasil. Entre cidadãos com 11 anos ou mais de estudos, a renda média de brancos é de 1.812 reais e 23 centavos, enquanto a de negros é de 1.681 reais e 32 centavos. As empresas são agentes transformadores poderosos, capazes de mudar esse cenário desigual. Toda empresa deve incluir integralmente a diversidade no corpo de funcionários, de forma a exterminar qualquer forma de preconceito, seja ele velado ou "inconsciente". Afinal como Rachel, Rodney e Viviane mostraram, competência não tem cor.

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