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CONFERÊNCIA DAS PARTES: CADA UM FAZ A SUA

17 Nov 2017

 

 

 

 Mudanças climáticas drásticas têm causado prejuízos humanos, naturais e consequentemente financeiros em todo mundo. Nos EUA, na última década, eventos climáticos extremos e os impactos na saúde causados pela queima de combustível fóssil custaram à economia americana 240 bilhões de dólares. Isso, deixando de fora os 3 furacões e os 76 incêndios florestais que aconteceram no país ainda esse ano.  Pode não parecer muito, mas o aumento de 1ºC  está causando o maior impacto na história da economia americana. Já foram gastos pelo menos 1 bilhão de dólares, o que significa um aumento de 400% desde 1980. As pesquisas mostram que, depois da maioria dos furacões, mais pessoas tendem a depender totalmente do seguro desemprego e do seguro de medicamentos, aumentando a pressão sobre esses programas públicos.

 

 Fiji, o país que preside a COP 23, a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas - Conferência das Partes, que está acontecendo desde 6 de novembro e vai até o dia 17, foi devastado no ano passado pelo ciclone tropical Winston. O furacão levou a vida de 44 pessoas e um terço do PIB do país. A expectativa para a conferência é que continue sendo discutido o Programa de Perdas e Danos, onde países mais vulneráveis teriam acesso às finanças de adaptação climática, que supostamente deveriam ser subsidiadas pelas nações mais ricas sob o argumento irrefutável de que são elas as que mais poluentes, sendo assim as principais responsáveis pelas mudanças climáticas.

 

 Outro assunto de suma importância na conferência é o Acordo de Paris, firmado entre 195 nações no ano passado, com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo de 2 ºC até 2100. O acordo inclui um sistema de revisão de NDCs (compromissos nacionalmente determinados). O Brasil, por exemplo, assumiu a meta de reduzir os gases do efeito estufa em 37% até 2025, e depois em 43% até 2030. Apesar da boa imagem que nosso país costuma passar no COP 23 por causa de sua matriz energética mais limpa que a dos demais países, muito mais baseadas em carbono, neste ano o Brasil chega sob fortes denúncias de retrocessos no campo ambiental: a tentativa de exploração da reserva mineral do Renca, localizada nos estados do Pará e do Amapá; o corte na Floresta Nacional do Jamanxim no Pará e o corte da Noruega de 50% na verba destinada ao Fundo Amazônia.

 

 A mudança climática exige uma ação internacional coletiva, um país sozinho não é capaz de controlar o clima. Comparando as últimas metas estabelecidas entre os países nos últimos 10 anos, em relação às negociações climáticas, o objetivo de limitar o aquecimento a 2 ºC tem mostrado sensível progresso. Com os países cooperando simultaneamente para o acordo internacional é possível a substituição do investimento nos combustíveis fósseis pelo investimento em energias renováveis. Embora consiga evitar muitos danos catastróficos e irreparáveis, a meta dos 2 ºC põe em debate custos econômicos e sociais essenciais. Esse foi um dos motivos que levaram Angela Merkel, chanceler da Alemanha, país que está sediando a conferência, a desanimar ambientalistas que esperavam resultados positivos. Segundo ela, a meta em questão é ambiciosa demais. Justificou sua posição citando a questão do desemprego que causaria caso fechasse as usinas de carvão e a queda de investidores que compram ações dessas empresas.

 

 Por se tratar de uma corrida contra o tempo a mudança climática é uma das piores questões globais e uma das que mais merecem atenção.  Mesmo se as emissões de gases do efeito estufa fossem suspendidas imediatamente, ainda sim o planeta continuaria aquecendo e o nível do mar se elevando. Segundo o professor da Universidade de Manchester Kevin Anderson, vice-diretor do Tyndall Centre for Climate Change Research, se a temperatura chegar a aumentar 4 ºC, nós não seremos capazes de nos adaptar. Por isso adiar a ação torna cada vez mais distante a chance de redução dos ricos climáticos. Se cada país se esforçar para cumprir as metas estabelecidas voluntariamente, fazendo sua parte se tornarão mais tangíveis gradualmente os resultados de ações imediatas. Assim como cada empresa pode fazer sua parte com os créditos de carbono e cada pessoa pode fazer sua parte consumindo conscientemente.

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