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MARIANA: TIJOLO POR TIJOLO

10 Nov 2017

 

 

 Dois anos depois do maior desastre ambiental do Brasil biólogos, geólogos, engenheiros e oceanógrafos ainda não conseguem medir com precisão os estragos que atravessam os estados de Minas a Espírito Santo.  A região foi cenário de uma triste cena no dia 5 de novembro de 2016, quando uma barragem da mineradora Samarco se rompeu, por causa de uma suspeita ampliação acima do limite anual, e 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração cobriram vilarejos, destruindo casas, contaminando rios, o mar, e  deixando 300 famílias desalojadas e 19 pessoas mortas. Mesmo com práticas de manejo e recuperação da integridade ecológica de todo o ecossistema, não existe estimativa sobre quantos anos serão necessários para a recuperação total dos danos ambientais.

 

 Preocupados com a reparação do seu lar, tanto casas destruídas quanto a riqueza ambiental devastada na região, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e os alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a agência de propaganda Grey Brasil e a Ecobrick, empresa de materiais de construção que trabalha com reciclagem, fundaram o projeto Tijolos de Mariana, que desde janeiro de 2016 reutiliza a lama para fabricar tijolos artesanais para levantar casas populares, hospitais e escolas para cerca de 400 famílias.

 

 Depois de captado, o rejeito é filtrado e transformado em um composto limpo e atóxico, chamado Metakflex, que ganha formato de tijolo através de um processo ecológico que não envolve a missão de gases. A equação é de 1,2 milhões de tijolos para 700 toneladas de lama. Operada 100% por mão de obra local onde os alunos da UFMG são os responsáveis pela execução do processo de fabricação, a fábrica dos Tijolos de Mariana devolveu 80 empregos diretos e indiretos à comunidade local com a produção estimada em 3 a 4 mil tijolos por dia, gerando renda extra para a comunidade local.

 

 A fundação Renova, mantida pela construtora Samarco dividiu a área afetada em 17 trechos e estipulou uma solução específica para cada caso. Em algumas regiões o rejeito será removido, em outras serão mantidos e aterrados, servindo de área de cultivo e de lazer. Por enquanto, a fundação tem custeado as famílias prejudicadas e tem feito pagamentos ainda emergenciais às mesmas. Foi a preocupação sobre o futuro, diante das lentas e graduais medidas de reparação a serem colocadas em prática pela fundação da Samarco, que os envolvidos no projeto Tijolos de Mariana arrumaram uma maneira de contribuir positivamente tijolo por tijolo, para o próprio bem e o da comunidade.

 

 O grupo iniciou uma campanha de financiamento coletivo online para viabilizar a construção de uma fábrica que vai aumentar ainda mais a produção de tijolos. A intenção é que, futuramente, a nova marca possa ser encontrada à venda em lojas de materiais de construção de todo o Brasil, de forma que seu lucro seja revertido para a região. Atualmente, no site de crowdfunding é mostrado que as doações foram encerradas com 18% arrecadado de 400.000 reais, o que equivale a 73.693 reais.

 

 Em meio às situações onde há necessidade de sobrevivência, é posto a prova nosso verdadeiro potencial criativo de encontrar soluções sustentáveis para reverter danos que a longo ou curto prazo  afetarão efetivamente tanto a vida humana, como a vida do nosso negócio. E não há nada melhor quando o seu negócio é a solução na vida de muitas pessoas, principalmente à do meio ambiente.

 

 

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