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OUTUBRO ROSA: A PRIMAVERA DE LYGIA

24 Oct 2017

 A pernambucana Lygia Camara que cresceu em uma família simples de atores do Recife, se formou em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco e veio para o Rio de Janeiro fazer Residência Médica. No Rio Lygia trabalhou no INCA por 27 anos e apesar de ter se aposentado aos 70, ainda continua exercendo a profissão que ama no Hospital Salgado Filho.

 

 Apaixonada pela natureza, logo assim que se aposentou Lygia foi morar em frente a lagoa de Jacaroa, em Maricá, onde aprendeu sozinha a andar de caiaque. Sua paixão pela água só aumentou mais. Estar em harmonia com o meio ambiente é tão importante para Lygia que mesmo depois que voltou para o Rio, continuou no remo, só que em canoas havaianas. Para ela que se considera uma naturalista, a lagoa é um local sagrado assim como qualquer lugar natural. Por isso sempre cata todo lixo que agarra na canoa. ”O meio ambiente depende da consciência sobre o agir em comunidade, é necessário zelar pelo caminho que os outros vão passar", diz a médica. 

 

 

 Estava tudo indo muito bem, até que Lygia descobriu um câncer de mama agressivo. Quando foi perguntada em uma entrevista com uma psicóloga, como se sentia após ter descoberto o câncer, a remadora respondeu: ”Ótima. Graças a Deus que é um câncer de mama. Sendo de mama, eu tiro de letra!" Lygia não precisaria fazer mastectomia total devido ao tamanho de sua lesão, mas ela preferiu informar aos médicos que queria assim. Sua grande preocupação era não poder mais remar depois da cirurgia, tanto que quatro dias depois da operação Lygia foi com seu dreno assistir à remada na praia da Urca.

 

 Levou um tempo para se reconhecer como uma mulher de novo depois da cirurgia. A pernambucana, que não quis fazer a restituição do seio diz que não é apenas uma questão de sexo, mas de condicionamento emocional. Agora, depois de algum tempo, ela não cobre mais o seio no momento de intimidade com seu parceiro e se sente plena ao constatar que como qualquer outra mulher é capaz de dar e sentir prazer. Hoje Lygia entende que o câncer a preveniu de males piores e por causa disso se cuida muito mais. Apesar de seu incrível dom de ver o melhor lado de tudo e transformar todos os problemas em experiências positivas, Lygia não se sente mais forte ou mais corajosa do que outras mulheres "bimamarias". Para ela, uma parte do corpo não define ninguém, isso seria apenas mais uma forma de segregar. Ela gosta de ser reconhecida por ser feliz, trabalhar, dançar,  remar, namorar, curtir com os  amigos como qualquer outra mulher saudável.

 

 O equilíbrio na relação entre ser humano e natureza está diretamente ligado ao nosso bem estar e saúde, foi o que revelou Yoshifumi Miyazaki, codiretor do Centro para Meio Ambiente e Saúde da Universidade de Chiba, no Japão, uma das instituições mais ligadas ao tema no mundo. O contato com a natureza faz mesmo bem à saúde e Lygia Camara é a prova disso. Sua vontade de voltar a remar e seu sentimento de pertencimento com todo aquele ecossistema proporcionaram a ela  recuperação física e mental a longo prazo, além de melhor autoconhecimento sobre o seu próprio corpo e o espaço que ocupa.  

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